Tuesday, 10 February 2009

Branca de neve.


A neve seria perfeita se não fosse gelada... Mas, como nada é perfeito, ela não só é fria como também molhada! Depois de uma guerra de neve, ou de construir um boneco, tudo o que vc quer é entrar, tirar as luvas ensopadas e voltar a sentir os seus dedinhos!


É claro que mesmo assim, ela é a coisa mais linda do mundo! Gosto de olhar pra cima e ver o que me parece ser uma chuva de minúsculas penas em câmera lenta. É como se todos os habitantes de Londres tivessem feito uma guerra de travesseiros na cidade.

Quando eu e Arthur saímos, na segunda-feira passada para brincar, nos pegávamos parados em vários momentos, comentando um com o outro, estarrecidos:

Tão lindo! Tão lindo! Parece mágico!


Um dia de neve é um dia de revelações. Faz você lembrar que, apesar do frio, é preciso sair de casa e aproveitar. Que apesar da umidade gelada é preciso rolar no chão, escorregar de bunda e rir quando vc leva uma bolada na cara!

Por que em breve, a neve, assim como a gente, não vai mais estar ali.

Wednesday, 14 January 2009

Continua lindo? (editado!)

Depois de tirar umas longas férias do Blog e umas curtas férias no Brasil, escrevo de novo, embora pouco:

Fui de turista no Rio. Na noite em que cheguei, enquanto caminhava pela Visconde de Pirajá, ia pensando com uma ponta de tristeza o quanto tudo estava menor... e, pra ser sincera, mais feio também.

É claro que tem coisas que continuam tão lindas quanto na minha lembrança... As praias, a Lagoa... e as pessoas.

O sentimento de pertencimento, a certeza de ser querido e a alegria de querer bem são impagáveis, inexplicáveis... E o poder estar por perto. O compartilhar histórias. O compreender e ser compreendido - em português! Verbos que não eram conjugados já há algum tempo.

E, no final de três semanas que passaram intensas e rápidas como uma chuva de verão, o que ficou para mim foi, além das costas descascadas, a certeza de que são as pessoas que dão sentido a minha saudade. Foram os momentos que passei com elas é que fizeram a paisagem ganhar mais uma vez as cores, cheiros e barulhos que tinham na minha memória. A cidade, tão pequena a primeira vista, pareceu esticar ao sob a medida de cada passeio, encontro e despedida...

O Rio é minha casa, sempre será, por que também é casa daqueles a quem eu amo e das histórias que lá vivi.

Se a cidade continua linda, eu já não sei mais. Só sei que ela guarda pra mim a promessa daquele abraço. E isso, faz toda a diferença!

Monday, 4 August 2008

Paris



Paris me lembrou o Rio, não sei exatamente em quê. Talvez no charme, talvez no sol, talvez no verde do Sena e no azul do céu... Talvez no seu contraste com Londres. As ruas são largas, cercadas por prédios suntuosos, todos invariavelmente do mesmo cinza amarelado e morto. Não sei... aos meus olhos Paris tem a luminosidade de Monet, mas lhe faltam as cores de Van Gogh.


As igrejas merecem um parágrafo. São todas tão lindas, tão grandes. A beleza gótica e escura de Notre Dame, o caledoscópio de luz nos vitrais da Saint Chapelle, os seios brancos recortados no céu pela Sacre Coeur... O triste é que, em todas elas, por maiores e mais belas que sejam, não se pode rezar uma missa em paz. Os turistas expulsaram o sagrado. Com suas - ou melhor, nossas - câmeras digitais de 700 fotos, posando com um sorriso de cera ao lado de túmulos, interrompendo preces, pagando um ingresso para entrar e consumindo cada centavo-centímetro do lugar, banalizando o olhar, esvaziando o sentir. Veronique e Clement que o digam - um casal que bravamente tentava se concentar no próprio casamento durante o entra-e-sai globalizado que se dava. Vocês podem me achar dramática e hipócrita, mas de fato me toca perceber que em catedrais tão grandes não caiba nem um dedinho de Deus.


A Champ-Elysee tb me passou um ar de carioquice. Com um charme meio Leblon, é claro. Lojas, cafés com mesinhas na calçada... tudo muito caro e muito lindo, de um chique displicente... O metrô, eu achei totalmente anos 70. Para quem vêm de Londres, aliás, Paris toda parece estar há alguns anos no passado. Não que isso seja ruim, não me entendam mal. É apenas diferente. Diferente o suficiente para me chamar atenção.


Acho que uma das coisas boas dessa viagem foi que eu me dei conta que tão importante quanto para onde você vai é de onde você vem.


Eu fui para Paris, mas vim de Londres.

E antes disso, fui para Londres, mas vim do Brasil.


E por isso meu olhar, ricamente contaminado, vai comparando o que não tem comparação. Vai se admirando com a diversidade e com a semelhança de cada rosto, rua, praça, de cada fim de tarde... Me impressiona muito como o ser humano pode ser tão diferente e ao mesmo tempo tão igual. Como o clima, a história, as relações nos fazem singulares em cada parte do mundo. Os textos da Psicologia sócio-histórica, apresentados para mim pela Lilian, tomam um contorno de realidade e faço das minhas andanças quase que uma pesquisa antropológica.


Na volta para casa - é... Londres agora é minha casa! - carrego uma mala pesada. Nela tem mar de Ipanema e becos de Olaria, tijolos vermelhos de Beckenham, nuvens cinzas de Londres, e agora também, estátuas, vitrais, quadros e a luz de Paris.










Tuesday, 1 July 2008

Just a perfect day!

Hj o sol do Brasil veio me fazer uma visita. O dia foi quente, tão quente que meu biquini finalmente saiu da mala e conheceu o jardim daqui de casa, onde eu e minha vizinha brasileira nos estiramos para tentar bronzear pelo menos um tico nossas barrigas branquelas....

Mais tarde, andando por ruas inexploradas da minha vizinhança, percebi - mais uma vez - o quanto tudo aqui é lindo.

Árvores a cada dois passos, casinhas de tijolos que parecem saídas da ilustração de um papel de carta, jardim com rosas tão abertas e extravagantes que chegam a ser um ultrage (dá até vontade de roubar umazinha...). O cheiro no ar é de grama cortada, o barulho que se ouve é o vento nas folhas e os pássaros cantando...

Enquanto janto, vejo uma raposa se coçar e espreguiçar no nosso quintal... O céu azul só foi embora, agora, âs 9 e meia da noite, dando lugar a um lilás morno e conforting...

Tudo tão lindo e tão perfeito que, pela primeira vez desde que cheguei, senti que poderia ficar... Senti que poderia ser feliz morando de vez nesse país...

Mas é claro que o inverno vai chegar, que a saudade vai bater, que o visto vai expirar...

E por isso mesmo tudo é ainda mais lindo...
E por isso, deixo minhas janelas bem abertas...
Para que o sol, as cores, os sons e sabores dessa terra entrem em mim e deixem a paisagem, tb aqui de dentro, mais bonita...

Wednesday, 11 June 2008

Algumas cenas londrinas

Picadilly Circus. Trombadero.


Cercada de vídeo-games de última geração, luzes e sons por todos os lados, uma mulher coberta dos pés a cabeça por sua burca preta e opaca encosta o carrinho de bebê que empurra num canto, enfia algumas fichas no fliperama e prepara-se para a ação.




Bromley. Sábado de sol. 10 am.


O playground do parque está cheio. A grande maioria dos adultos que acompanham as crianças são pais - do sexo masculino! Nenhuma babá uniformizada a vista. Apenas duas mães conversam em um banco, enquanto homens de bermuda empurram balanços e seguram mãozinhas pequeninas no topo do escorrega. Num canto, uma mãe brasileira sorri.






Caminho da escola do Arthur. Manhãs de outono.


As árvores tiram suas folhas aos poucos. A paisagem é colorida de laranja e amarelo, algumas vezes surge, inesperado, um vermelho. Pai e filho - brasileiros - caminham em direção a rotina de mais um dia que começa. Na frente deles, passa e para o caminhãozinho do leite. Sentindo-se nas páginas de um livro infantil, eles observam quando o motorista sai do veículo de proporções também infantis para pegar uma garrafinha de vidro cheia de leite e deixá-la na porta de uma casa de tijolos marrons. Não parece nenhum pouco preocupado com a possibilidade (por qui, é melhor dizer impossibilidade) de algum ladrão chegar primeiro que o dono. Pega então mais uma de suas garrafinhas e já vai entregá-la na segunda casa, quando uma velhinha de quimono abre a porta para recebe-lo e conversar com ele. Todos os dias essa cena se repete. Se pai e filho se atrasam, pegam apenas a despedida da velhinha e seu amigo entregador-de-leite-em-garrafinhas.

Talvez um dia ainda vejam algum ladrão roubar o leite da frente de uma das portas, mas -para completar mais um detalhe da aquarela da pagina em que caminham - o gatuno será mesmo um gato: cinza, lambendo os beiços e de bigodes melados!


Tuesday, 10 June 2008

How I wish you were here...

Olhando ao meu em torno, e procurando dentro de mim mesma, vejo o quanto tenho crescido... O quanto minha família de três está mais unida, o quanto os nós que nos prendem um ao outro estão apertados, firmes... Posso enxergar, com a claridade fria de um dia nublado, tudo de bom que essa experiência nos trouxe, nos traz, nos trará...

E, ao mesmo tempo, tenho comigo a saudade...
O buraquinho da falta grita no meu peito... algumas vezes, mais altas que outras...

Ele chama o nome de cada um dos meus amigos
ele cantarola MPB
ele faz as contas dos dias que faltam para a visita dos meus pais
ele fala português

ele não cala

Buraco fundo, esse...