Sunday, 9 May 2010

Epifanias sobre o tempo, num dia das maes melancolico...

Tres quase anos se passaram desde que nos tres viemos, com muito medo e esperanca no coracao, morar nessa ilha chamada Reino Unido. Parece que foi mais, mas parece que foi tao rapido...
Nove quase anos se passaram desde que nos dois, tambem com muito medo e esperanca no coracao,viramos uma famila, numa manha chuvosa de um domingo das maes, como hoje. Mais uma vez parece mais, mas parece que foi tao, tao rapido...
E finalmente, trinta anos completos se passaram desde que eu entrei nesse mundo - certamente com medo e talvez uma esperanca crua e sem nome num coracao ainda novo, sem dor ou cicatriz.... Parece mais? Passou rapido?

As coisas acontecem, encontros, despedidas, estacoes do ano e viagens... somos ainda criancas a chamar por nossas maes num momento de desespero, somos adultos cuidando de um menino e torcendo de toda a alma que estejamos fazendo nosso melhor...
O tempo, esse nada que nos come e nos alimenta, esses dias que se estendem nos dias de paz e se encurtam na alegria demasiada ou na tragedia absoluta, essa vida com uma morte anunciada, uma promessa de fim, um agora que nos escapa...

O tempo e a vida me vieram visitar o coracoa hoje. Presente de um dia das maes. Presente.

Tuesday, 29 September 2009

Small post sobre small talk.

Os britânicos são mestres na arte da small talk. Fique 5 minutos numa sala fechada e sem janelas com um e ele dará um jeito de comentar sobre o tempo. Não é exatamente o que eles usam para iniciar uma conversa. É a conversa. E ponto. Fale de algo mais profundo, pessoal ou polêmico e eles se mostrarão confusos, constrangidos e visivelmente chocados.

Amenidades, meus amigos, vamos nos ater as amenidades.

Ps. Estou malvadinha hoje.

Sunday, 7 June 2009

Apèndice de carta para a Rainha

Querida Rainha,



Quando cheguei no seu país, no seu reino unido, com um frio na barriga e em todo resto também, confesso que torci o nariz... Resolvi que ia escrever para você uma lista, reclamando de tudo o que não gostava.


Agora, mais de um ano e meio depois, confesso que continuo não gostando de muitas coisas, mas acho que você gostaria de saber que a lista mudou. Os pontos negativos diminuíram em quantidade, e acrescentei nela um apêndice de - pasmem! - elogios. Coisas que o tempo e a experiência me ensinaram a apreciar, e algumas até mesmo até ganharam um canto no meu coração de carioca.


E é sobre esse "quase-PS" embaixo de uma penca de reclamações indignadas que resolvi escrever aqui hoje:

  • A arquitetura. As casas de tijolos vermelhos e, como diria a minha mãe, a plantação de chaminés que se vê contra o céu cinza. É como se as ruas e os bairros se comprassem suas roupas na mesma loja, todos combinando. Nada destoa, tudo se completa numa paisagem que só existia antes para mim nos livros, filmes e na imaginação. Ninguém resolve de repente, por exemplo, que o legal é o moderno, ninguém passa a construir prédios coloridos, numa área de casinhas antigas. Procura-se, ao contrário, respeitar o que já existe antes, se manter um estilo que diz um pouco sobre quem se é. Me faz pensar como, até nisso, vocês valorizam o coletivo, o fazer parte de uma história, de uma cultura, de um país.

  • Os parques. Bem cuidados e espalhados pela cidade toda. São a praia do seu povo, o lugar em que eles se permitem ficar descalços e deitar no chão. O único defeito é a falta do barulhinho do mar.

  • Os, ou melhor dizendo, alguns, britânicos. Êta, povinho difícil de se gostar! Acho que é porque vocês não fazem a mínima questão de serem gostados. Alguns parecem estar todo dia num mau dia e outros fazem parte, definitivamente, da primeira parte da minha lista. Mas, justiça seja feita, você tem dentre seus súditos, pessoas realmente especiais, ou que pelo menos, se fizeram especiais para mim. São eles os garotos propaganda que eu escolhi para o marketing da Inglaterra no meu coração:
As velhinhas que lotam os ônibus vermelhos de manhã, com bengalas e óculos, estereótipos da gentileza e de uma elegância e dignidade tipicamente britânica.
As pessoas que pararam seus carros e ficaram comigo, uma estranha desnorteada e estrangeira, no dia em que passei mal na rua.
Vizinhos, mães de amiguinhos do Arthur e outros que se encaixam apenas na categoria dos "conhecidos", aqueles com os quais não tenho - nem me dão! - nenhuma intimidade, mas que ainda assim, são extremamente simpáticos, solícitos e educados, de um jeito que só os ingleses sabem ser.
Os cúmplices da espera diária do ônibus da manhã: sempre os mesmo 4 estranhos que encontro todos os dias por 5 minutos, e com os quais não troco mais do que 2 palavras, não mais que comentários ou, mais frequentemente, um simples arquear de sombrancelhas a respeito da demora do maldito ônibus. Rostos com vidas próprias e desconhecidas que, de alguma forma, se tornaram íntimos e queridos para mim.

Ps. Lendo esse tópico, vejo que faço realmente um esfôrço no sentido de gostar da sua gente. Quero muito gostar deles, tanto que construo fantasias e me contento com o "muito pouco" que oferecem.

  • Os ônibus vermelhos. Principalmente o meu amado e odiado 227 (que também não escapa da primeira parte da minha lista).


  • O The Guardian dos sábados de manhã. Como eu vou conseguir voltar a ler O GLOBO depois de me acostumar com a qualidade da imprensa inglesa? Oh Dear!


  • Por falar em imprensa, meus parabéns pela BBC! TV sem comerciais, com programas de excelente qualidade, que tem a coragem e a fineza de se auto-criticar quando necessário. As apresentadoras de telejornais zumbis e os empolgados homens do tempo a parte, é a melhor tv do mundo, sem dúvida nenhuma.


  • Por falar em BBC, o Apprentice (O Aprendiz daqui) tem que constar na minha lista. E não só o programa, que é um annual guilty pleasure of mine, mas também e principalmente quem dá graça a ele: Sir Alan Sugar. Eu nunca vi a versão Brasileira - e nem pretendo - , mas também, como poderia? Roberto Justus, você que me desculpe, mas "you don´t have a bloody clue, do you?".


  • A Pimavera, o verão, o outono e o inverno. É. Todos eles mesmo! É tão gostoso ver a passagem do tempo na paisagem, nas árvores que perdem as folhas no outono, morrem e renascem na primavera, numa explosão de vida e cores. Aprendi a valorizar o calor do sol, a nçao deixar um dia de céu azul passar em branco. Aqui, no seu país, é possivel ver e sentir o ciclo da vida e apreciar o que cada estação, seja ela de morte ou recomeçar, tem a oferecer.

  • A sua organização e eficiência. Vocês chegam a ser engraçados de tão civilizados. Aos meus olhos acostumados com o jeitinho e a bagunça brasileira, no começo vocês me irritavam com tanta polidez. Pensando bem, vocês ainda me irritam, mas agora sei que o lado bom da sua falta de espontaneidade é compensado por uma sociedade que funciona, que respeita o direito do próximo, que não fura fila e não rouba no troco. Vocês me mandam cartas perguntando se concordamos com a demolição de um prédio vizinho, outras prestando contas dos impostos pagos, vocês recliclam o meu lixo e dão uma educação de primeira qualidade para o meu filho. Vocès fazem tudo isso, e fazem bem.

  • a cultura, o respeito pelo passado. Parabéns pelos museus, pelo orgulho e propriedade com que vocès todos falam da sua história e pela eficiència com que preservam lugares, monumentos e tudo o que fala um pouco de vocès. E , como me sinto um pouco mais "em casa" por aqui, sinto também parte do seu orgulho de mostrar a cidade, tão bem sinalizada e cuidada, aos brasileiros que me visitam.

A lista provavelmente ainda vai mudar até o dia em que, daqui a não muito tempo, iremos embora. Mas saiba, vossa majestade, que sentirei saudades. De toda ela.


Kind Regards,

Barbara

Tuesday, 10 February 2009

Branca de neve.


A neve seria perfeita se não fosse gelada... Mas, como nada é perfeito, ela não só é fria como também molhada! Depois de uma guerra de neve, ou de construir um boneco, tudo o que vc quer é entrar, tirar as luvas ensopadas e voltar a sentir os seus dedinhos!


É claro que mesmo assim, ela é a coisa mais linda do mundo! Gosto de olhar pra cima e ver o que me parece ser uma chuva de minúsculas penas em câmera lenta. É como se todos os habitantes de Londres tivessem feito uma guerra de travesseiros na cidade.

Quando eu e Arthur saímos, na segunda-feira passada para brincar, nos pegávamos parados em vários momentos, comentando um com o outro, estarrecidos:

Tão lindo! Tão lindo! Parece mágico!


Um dia de neve é um dia de revelações. Faz você lembrar que, apesar do frio, é preciso sair de casa e aproveitar. Que apesar da umidade gelada é preciso rolar no chão, escorregar de bunda e rir quando vc leva uma bolada na cara!

Por que em breve, a neve, assim como a gente, não vai mais estar ali.

Wednesday, 14 January 2009

Continua lindo? (editado!)

Depois de tirar umas longas férias do Blog e umas curtas férias no Brasil, escrevo de novo, embora pouco:

Fui de turista no Rio. Na noite em que cheguei, enquanto caminhava pela Visconde de Pirajá, ia pensando com uma ponta de tristeza o quanto tudo estava menor... e, pra ser sincera, mais feio também.

É claro que tem coisas que continuam tão lindas quanto na minha lembrança... As praias, a Lagoa... e as pessoas.

O sentimento de pertencimento, a certeza de ser querido e a alegria de querer bem são impagáveis, inexplicáveis... E o poder estar por perto. O compartilhar histórias. O compreender e ser compreendido - em português! Verbos que não eram conjugados já há algum tempo.

E, no final de três semanas que passaram intensas e rápidas como uma chuva de verão, o que ficou para mim foi, além das costas descascadas, a certeza de que são as pessoas que dão sentido a minha saudade. Foram os momentos que passei com elas é que fizeram a paisagem ganhar mais uma vez as cores, cheiros e barulhos que tinham na minha memória. A cidade, tão pequena a primeira vista, pareceu esticar ao sob a medida de cada passeio, encontro e despedida...

O Rio é minha casa, sempre será, por que também é casa daqueles a quem eu amo e das histórias que lá vivi.

Se a cidade continua linda, eu já não sei mais. Só sei que ela guarda pra mim a promessa daquele abraço. E isso, faz toda a diferença!

Monday, 4 August 2008

Paris



Paris me lembrou o Rio, não sei exatamente em quê. Talvez no charme, talvez no sol, talvez no verde do Sena e no azul do céu... Talvez no seu contraste com Londres. As ruas são largas, cercadas por prédios suntuosos, todos invariavelmente do mesmo cinza amarelado e morto. Não sei... aos meus olhos Paris tem a luminosidade de Monet, mas lhe faltam as cores de Van Gogh.


As igrejas merecem um parágrafo. São todas tão lindas, tão grandes. A beleza gótica e escura de Notre Dame, o caledoscópio de luz nos vitrais da Saint Chapelle, os seios brancos recortados no céu pela Sacre Coeur... O triste é que, em todas elas, por maiores e mais belas que sejam, não se pode rezar uma missa em paz. Os turistas expulsaram o sagrado. Com suas - ou melhor, nossas - câmeras digitais de 700 fotos, posando com um sorriso de cera ao lado de túmulos, interrompendo preces, pagando um ingresso para entrar e consumindo cada centavo-centímetro do lugar, banalizando o olhar, esvaziando o sentir. Veronique e Clement que o digam - um casal que bravamente tentava se concentar no próprio casamento durante o entra-e-sai globalizado que se dava. Vocês podem me achar dramática e hipócrita, mas de fato me toca perceber que em catedrais tão grandes não caiba nem um dedinho de Deus.


A Champ-Elysee tb me passou um ar de carioquice. Com um charme meio Leblon, é claro. Lojas, cafés com mesinhas na calçada... tudo muito caro e muito lindo, de um chique displicente... O metrô, eu achei totalmente anos 70. Para quem vêm de Londres, aliás, Paris toda parece estar há alguns anos no passado. Não que isso seja ruim, não me entendam mal. É apenas diferente. Diferente o suficiente para me chamar atenção.


Acho que uma das coisas boas dessa viagem foi que eu me dei conta que tão importante quanto para onde você vai é de onde você vem.


Eu fui para Paris, mas vim de Londres.

E antes disso, fui para Londres, mas vim do Brasil.


E por isso meu olhar, ricamente contaminado, vai comparando o que não tem comparação. Vai se admirando com a diversidade e com a semelhança de cada rosto, rua, praça, de cada fim de tarde... Me impressiona muito como o ser humano pode ser tão diferente e ao mesmo tempo tão igual. Como o clima, a história, as relações nos fazem singulares em cada parte do mundo. Os textos da Psicologia sócio-histórica, apresentados para mim pela Lilian, tomam um contorno de realidade e faço das minhas andanças quase que uma pesquisa antropológica.


Na volta para casa - é... Londres agora é minha casa! - carrego uma mala pesada. Nela tem mar de Ipanema e becos de Olaria, tijolos vermelhos de Beckenham, nuvens cinzas de Londres, e agora também, estátuas, vitrais, quadros e a luz de Paris.










Tuesday, 1 July 2008

Just a perfect day!

Hj o sol do Brasil veio me fazer uma visita. O dia foi quente, tão quente que meu biquini finalmente saiu da mala e conheceu o jardim daqui de casa, onde eu e minha vizinha brasileira nos estiramos para tentar bronzear pelo menos um tico nossas barrigas branquelas....

Mais tarde, andando por ruas inexploradas da minha vizinhança, percebi - mais uma vez - o quanto tudo aqui é lindo.

Árvores a cada dois passos, casinhas de tijolos que parecem saídas da ilustração de um papel de carta, jardim com rosas tão abertas e extravagantes que chegam a ser um ultrage (dá até vontade de roubar umazinha...). O cheiro no ar é de grama cortada, o barulho que se ouve é o vento nas folhas e os pássaros cantando...

Enquanto janto, vejo uma raposa se coçar e espreguiçar no nosso quintal... O céu azul só foi embora, agora, âs 9 e meia da noite, dando lugar a um lilás morno e conforting...

Tudo tão lindo e tão perfeito que, pela primeira vez desde que cheguei, senti que poderia ficar... Senti que poderia ser feliz morando de vez nesse país...

Mas é claro que o inverno vai chegar, que a saudade vai bater, que o visto vai expirar...

E por isso mesmo tudo é ainda mais lindo...
E por isso, deixo minhas janelas bem abertas...
Para que o sol, as cores, os sons e sabores dessa terra entrem em mim e deixem a paisagem, tb aqui de dentro, mais bonita...