Tuesday, 25 March 2008

Páscoa Congelada!!!

Foram quatro dias de feriado aqui. E desde a sexta-feira, que eles chamam de good friday (eu não sei por que, já que supostamente Jesus foi crucificado nesse dia...) até segunda, o tempo que já estava ruim, resolveu piorar... Foi chuva de gelo, um frio de congelar a alma e até neve! Digo até porque aqui em Londres não costuma nevar...

Passamos a Páscoa sobrecarregando o aquecimento aqui de casa, comendo chocolate e vendo tv debaixo do edredon...


Wednesday, 12 March 2008

As dores e as delícias das prateleiras do supermercado

    Vamos primeiro às gostosuras...

  1. Fruitcorner - na minha humilde opinião, a melhor iguaria de toda a Inglaterra, por incrível que pareça, é um iogurte sem sabor (mas com mt sabor!) que vem com uma porção separada de compota de fruta. A proposta é vc mesmo misturar a fruta no creminho, na hora de comer, huuuuuummmm... Aqui em casa tem toda manhã... pro dia nascer feliz.

  2. Kit-kats, mentinhas, dark-chocolates e todos da família - chocolate nem deveria contar na lista, afinal, eles são bons aqui e em qualquer outro lugar do planeta, mas o meu carrinho do supermercado faz parada obrigatória na sessão se chocolates por causa do preço (mais barato que no Brasil) e da variedade... ou vai ver isso é uma desculpa que eu me dou para comprar e comer sem culpa!!!

  3. Queijos e vinhos - aqui dá pra comprar um vinho francês bem barato... e tem sempre algum em promoção. Os queijos tb são uma gostosura. Um brie, por exemplo, sai a 76 p um pedação!
  4. Tea - Tem chá de tudo quanto é sabor. E os ingleses bebem muito mesmo, não é lenda, não. Eles tem realmente a hora do chá todos os dias e fazem coisas bizarras como misturar leite... Eca!
  5. Cogumelos - nada de enlatados. Aqui eles são grandes e frescos e custam 68 p uma embalagem grande.
  6. Juices - Já não sinto falta da coca-cola (só do mate mesmo!). Os sucos são maravilhosos. E aqui tb tem um tal de smoothie, que é feito só de polpa, sem água, que tb é mt bom.

Quanto às dores, o troféu vai para os bifes, que são caros e horrorosos e tb para os preços. Um sabonete Dove sai o equivalente a 4 reais e pouco, um creme de leite, 3 reais e tal, o frango então é de chorar: um pacote com três filés de peito custa uns 12 reais na promoção.

Thursday, 6 March 2008

Saudades intermitentes...

Todo mundo conhece aquela história de que a palavra saudade só existe na nossa língua... Pois é... Só mesmo ela pra expressar o que me bate vez ou outra no peito, sobre pela garganta e escorre dos olhos bochechas a baixo...

Saudade do barulho do mar de Ipanema... saudade (muita saudade!) do sorriso da minha mãe e do abraço morno do meu pai... saudade de ver tv ao lado das minhas irmãs... das malcriações da Bia e da responsabilidade irritante da Cru... saudade do pão do Zona Sul... saudade das supervisões da Lilian... saudade de ouvir a tia Sílvia contando toda as manhãs sobre o trânsito na Avenida Brasil... saudade de descer o Dona Marta com a Iara, conversando sobre a vida... saudade de almoçar na casa da Sônia... saudade do peixinho da Dedê nas terças-feiras... saudade das longas e mansas conversas com a Dona Zoé... saudade das redes de Maricá... saudade dos assobios intermináveis do meu avô Manuel... de ver a tarde passar na varanda com minha vó Lúcia... saudade da paisagem da prai de Botafogo... saudade dos telefonemas da Débora... de ter que ler quinhentos livros pra fazer um projeto com a Rê... saudade (quem diria!?!) do IP... saudade do musse de abacaxi da minha vó Arlete... saudade de chorar no sofá da Ângela... saudade de comer um bife decente... saudade das reuniões de família mais barulhentas do mundo... saudade do sotaque gostoso da Juliana... saudade dos presentes feitos pela Clá (e da presença dela tb)... saudade de sentir calor... saudade de não me sentir estrangeira... saudade de me sentir em casa...

Saturday, 1 March 2008

Caminhando contra o vento

São 7:10 da manhã. Termino rápido de botar a mesa do café, deixo o leite quentinho nas xícaras dos meus dois meninos, que ainda dormem, tb quentinhos nas suas camas. Boto o cachecol, o casaco e, por último, o tênis (contando todas as camadas de roupa, estou devidamente embalada por nada menos que duas blusas, dois casacos e duas calças).
Saio pro frio da manhã (sim, mesmo tão agasalhada, ainda sinto frio). Caminho enquanto boto as luvas e vejo minha respiração se transformar em nuvem e depois em nada. As casas, em sua maioria, são de tijolos vermelhos e sem cercas. Os carros e as mãos das ruas são "do contário", como o título de um livro do Arthur. Aviso a mim mesma pra olhar pro lado "errado" antes de atravessar as pistas. O céu está azul riscado de branco, mas o vento glacial que me empurra pra trás anuncia que não permanecerá assim por muito mais tempo.
Ando, ando e ando. Vou olhando tudo no caminho. Como num aquário. Como da primeira vez. As árvores nuas, tremendo e dançando no vento... A grama bem cuidada do velhinho que mora na esquina... Os canteiros com as cores esbranquiçadas, congelados do frio da madrugada.
Passo pela estação e alguns ingleses passam correndo por mim, provavelmente apressados pra não perder o trem.
Ouço uma voz me chamar. É um menino em seus treze anos. Ele pergunta se eu posso comprar-lhe um cigarro. Pensando que se trata de esmola, respondo que não tenho dinheiro e ele então me diz que me dará o dinheiro. Só aí entendo. Não, não compro. E ele ainda agradece.
Continuo caminhando mais alguns metros até a linha de pedestres desenhada no chão. O trânsito é intenso a essa hora e não há sinais, mas basta um pé meu na rua para que os carros parem. Atravesso sem pressa e alguns passos depois estou na escola onde trabalho. Digito o código de segurança e as portas abrem-se para mim.
Deixo o frio e o vento lá fora e caminho para o novo dia que começa.

Friday, 22 February 2008

Uma voltinha pelos museus - Parte II

Durante minha visita aos dois Museus da Infância, senti mt falta dos meus amigos da Psicologia Escolar, os quais - tenho certeza - iriam adorar ver tudo aquilo. Graças ao que aprendi com a Lilian e com eles, pude aproveitar minha visita de um modo especial. Meu convite a uma voltinha nesses museus, portanto, vai principalmente para vcs, meus queridos...

Museum of Childhood (Edinburgh, Scoland)

A entrada parece a de uma lojinha e vc não dá nada por ela, mas, ao entrar, me senti descobrindo um tesouro. São andares e andares de pequenos aposentos com objetos, roupas e brinquedos que mostram como as crianças eram vistas e tratadas ao longo do tempo. Como foram surgindo objetos específicos para o cuidado, a higiene, a alimentação, instrução e divertimento específico delas. Dava até um arrepio na espinha passear pelos corredores repletos de brinquedos com que crianças que realmente existiram, cresceram e morreram, realmente brincaram, se divertiram e sonharam...



Abaixo, as fotos de uma "butcher's shop" (um açougue) de 1880 e uma casinha (ou melhor, uma casona) de bonecas de 1897.


As casinhas de bonecas surgiram nos séculos XVII e XVIII e serviam tanto para os adultos (os ricos, é claro) mostrarem suas coleções de objetos e mobílias (ou seja, era uma casa igual a sua casa real, mas em miniatura) como para as crianças serem instruídas no manejamento e nos serviços de uma casa. A maior que o museu possui têm 18 aposentos, água encanada, luz elétrica e uma lareira.



Museum of Childhood (London)

O Museu de Londres tem uma coleção maior, e com mais objetos recentes, como a coleção da Moranguinho, por exemplo (me deu uma vontade enlouquecida de quebrar o vidro e dar uma cheiradinha pra matar a saudade...) Tb há mt coisa pra as crianças que visitam o espaço se divertirem, como fantasias, instalações, legos até e um tanque de areia, no qual o Arthur se esbaldou (tadinho, ele devia estar com saudade de brincar na areia!).


O que eu mais gostei foram os teatros para marionetes, mas infelizmente as fotos que tirei deles não ficaram boas. Tinha um igualzinho ao do filme da Noviça Rebelde e que, como no filme, tb era usado por uma família rica para entreter os seus convidados.



Dá ou não dá vontade de brincar?


Uma voltinha pelos museus - Parte I

De uma coisa tenho certeza: sou uma pessoa bem mais culta hj do que antes de vir pra Londres. Os museus são gratuitos (alguns pedem uma doação, mas ninguém cobra por ela) e somente as exposições temporárias são pagas. Todos eles tb parecem organizar suas exposições de modo a atrair não só que já se interessa pelo tema, mas todo e qq um. As mostras convidam o visitante a participar do que está sendo mostrado, seja pela forma de perguntas, em que ele se questiona sem receber todas as respostas prontas, seja pelo convite a tocar e experimentar um pouco da sensação de viver em uma outra época ou de fazer ele mesmo, um experimento científico, por exemplo.


Uma outra coisa impressionante é que todos os museus oferecem atividades especiais e guias para crianças e excursões de escola. Eles têm até uma área especial com mesinhas para as turmas lancharem. Com essas facilidades e incentivos, vai-se formando o público futuro - e atual!- para o próprio museu.


Eu fui com o Arthur e a sua turma em uma visita a National Gallery e, por causa disso, aprendi muito sobre História da Arte. É que a guia que o museu disponibilizou para as crianças era simplesmente maravilhosa: ela escolheu umas quatro telas e foi explicando - explicando não, na verdade ela foi contando - a história delas para os alunos. Não sei sobre as crianças, mas eu adorei!



Começo então meu passeio com vcs pela:

National Gallery

Toda obra conta uma história. Essa retrata o ciclo de vida dos girassóis. Reparem que há algumas flores em botão, algumas abertas e outras já murchas.

Vcs sabiam que Van Gogh pintou 4 desses quadros, mas só assinou dois deles? O que está exposto na National Gallery de Londres está assinado. Nessa hora, a guia perguntou para as crianças por que elas achavam que ele assinou "this one".


- "Because he was happy with it." - foi a resposta - mt esperta, por sinal - de um garotinho.


Então sigam o conselho da guia e, nas suas viagens pelo mundo, se vcs virem em algum museu, um dos quadros dos girassóis, procurem a assinatura "Vincent" para saber a opinião do próprio sobre sua pintura.


Science Museum
Eu e Arthur gostamos mt do Launchpad, que é uma área de experimentação, onde as crianças - e por que não os adultos? - podem mexer em tudo e se perguntar sobre os exprimentos que realizaram. Há circuitos para serem montados, bolhas de sabão gigantes para serem assopradas, um fazedor de ondas, um fazedor de eco e mt, mt mais. Ao lado, colei uma figura da Big Machine, que foi o que o Arthur mais gostou e que mostra como as máquinas contruídas e manejadas pelo homem podem fazer as coisas se movimentarem mais facilmente (por meio alavancas, cordas, moinhos, rampas etc).

O museu tb oferece (mas aí tem que pagar!) simuladores e cinemas em 3D. Nós fomos em uma sessão de cinema 3D sobre os Dinossauros.

Vcs sabiam que o o filme em 3D são na verdade dois filmes rodando ao mesmo tempo, um para cada olho?

Vou parar "o tour" por aqui hj e continuo no próximo post, já que, infelizmente, coisas mais mundanas do que a Arte ou a Ciência me aguardam, como a louça do café da manhã, por exemplo.
Ps. Estou feliz por poder compartilhar um pouco - nem que seja bem pouco - do que estou vendo e vivendo aqui, com vcs. A próxima vez vou escrever um pouco sobre os Museus da Infância, o daqui e o de Edinburgh.

Wednesday, 20 February 2008

Oh, Happy Day!!!!

O dia do meu aniversário foi cheio de surpresas.

A primeira delas apareceu quando eu estava de saída com o Arthur pro Science Museum (que por sinal, vale um post a parte). Eu apressando ele para não perdermos o trem, quando escuto uma voz - em portuguese - perguntando se eu era brasileira.
- Siiiiiiiiiiiiiiiiiiim, brasileiríssima! - e, para a minha total felicidade, a dona da voz não só tb era brasileira, como é minha vizinha. Eu moro no 5, e ela no 2.
No caminho para a estação de trem (pois ela tb estava indo pra cidade), fizemos um breve relato da vida inteira. Ela é da Bahia, casada com um inglês que ama o Brasil e tem um filho de 3 anos.
Não sei bem explicar a minha felicidade por esse encontro, mas acho que, qd vc mora fora dá uma vontade danada de encontrar um igual...

Depois de passearmos o dia inteiro no Museu, assistirmos a um filme 3D dos dinossauros (vcs precisavam ver o Arthur com aquele óculos gigante...) e encontrarmos com o Dani, voltamos pra casa bem satisfeitos... E outra surpresa: Flores me esperando enconstadinhas na minha porta azul! Um buquê gigante e lindo, com um cartãozinho da minha família querida e distante! O problema de eu não ter um vaso de flores ainda não foi solucionado, mas elas ficam bonitas mesmo no balde vermelho que eu tive que providenciar no improviso!

A última surpresa foi a quantidade de e-mails e recados no orkut que recebi desejando um feliz aniversário e tantas outras coisas boas. Fiquei - e ainda estou - emocionada de ter tanto carinho ao meu redor.

Terminei o dia comendo brigadeiro (sim, achamos leite condensado e fizemos brigadeiro!) e com o coração suspirando de satisfação...