Segundo o dicionário: bárbaro (a) (latim barbarus, -a, -um, bárbaro, estrangeiro, inculto, selvagem) adj.adj. 1. Cuja cultura medeia entre a dos civilizados e a dos selvagens. 2. Próprio de quem não é civilizado. 3. Fig. Rude.
Sunday, 2 June 2019
Surpresa no jardim!
Saturday, 23 July 2016
Half open
Estar metade aberta é estar metade fechada
Parte coberta pelas camadas de tempo
Pelas muitas mãos da mãe
Pelas muitas mães
É estar protegida do mundo
Escondendo minha cor
Até de meus próprios olhos
Minha escuridão particular
Minha metade fechada é sobre quem eu quero falar
Num rodamoinho em torno de um umbigo
Cujo cordão ainda está lá
A parte aberta grita
Se faz vermelha
Se faz azul
arregaça sem medo de rasgar
As pétalas vão murchar ao sol do meio dia
Que caiam antes então
Exaustas do esforço de perfumar
Metade em mim
Metade no mundo
Respira
Expira
Exala
Vai
Monday, 26 September 2011
Hoje no recreio
- I want to tell you something, Will. I am soon going to be going back to my home country and, because of that, I am gonna stop working here, at the school. Actually, this is my last week and Friday will be our last day together at playtime.
William, um menino de seis anos com cabelos selvagens e louros, olha para mim surpreso. Seus olhos são tristes mas ele sorri de leve enquanto suspira:
- Aaaahhhhhhh...
Ele para e pensa por um momento, sentado no trem de madeira no meio de playground. Ele olha nos meus olhos, mais um sorriso e diz, no mesmo tom sério e amoroso, quase cantado, que muitas vezes usei com ele nos meses em que trabalhei na escola.
Um tom de adulto falando com criança,
pai com filho:
- You make the most of it, ladie!
Obrigada, Will. Vou levar esse momento no meu coração.
E tantos outros.
E certamente, I'll make the most of it.
Thursday, 4 August 2011
Para a bárbara bailarina
Thursday, 23 June 2011
While my eyes...
Essa Terra de Robins e sem Sabiás
Esse céu da cor do mar de ressaca
Esse frio que faz precioso o sol
O trem me leva pra longe
cada vez mais
Plantação de chaminés caladas
vidas desconhecidas
casas enfileiradas portas coloridas
Sento na grama sempre úmida do meu jardim
perfume de hortelã e manjericão
e da saudade que vem no vento
Primavera, outono, verão
A porta me chama
O cão late
O marido chega
A noite não
Tudo passa
Ontem é hoje
E já vou com o amanhã
Vou voltar pra minha casa
e deixar minha casa pra trás
mala pesada
dois corações num peito pequeno demais
Quantas vidas que não vivi?
Por uma só as deixei
No fim nada importa
Levo nas mãos outras mãos apenas
Levo nos pés o caminho
As guerras
de bola de neve,
de amoras com Arthur
conchas com Daniel
o sorriso de William
a solidão de Denise
histórias em torno de uma fogueira
e na beira de uma cama
viagens sonhadas e vividas
encontros
lugares
amigas que poderiam ter sido pra sempre
e pedaços de felicidade.
Saturday, 2 April 2011
The years shall run like rabbits...
As fotos de meus amigos no Facebook mostram estranhos, adultos que tomaram lugar dos adolescentes com quem vivi aventuras e dias de tédio que pareciam durar para sempre. Se foram aquelas horas... as de amor, as de tristeza, os problemas que pareciam insolúveis... Foram todos.
Tenho outros agora. Parecem-me insolúveis também. E os amores eternos, e as tristezas, avassaladoras. Irão-se todas um dia. E meu sorriso de mulher e mãe dará lugar a outra face. A face de uma estranha a que o tempo ainda há de me apresentar.
Assisti num outro dia um filme de amor no qual o casal só tem um dia juntos. E justamente por isso o que sentem um pelo outro dura a vida toda.
Foi nesse filme que ouvi um pedaço do poema abaixo, que agora, leio todo e posto para vocês.
Poema sobre o tempo.
A única coisa nesse mundo de paixões e desgraças,
de beleza e pavor,
a única coisa
que vai existir para sempre.
And the years will run like rabbits
As I Walked out one Evening
As I walked out one evening,
Walking down Bristol Street,
The crowds upon the pavement
Were fields of harvest wheat.
And down by the brimming river
I heard a lover sing
Under the arch of a railway
"Love has no ending.
'I'll love you dear, I'll love you
Till China and Africa meet,
And the river jumps over the mountain
And salmon sing in the street,
'I'll love you till the ocean
Is folded and hung up to dry
And the seven stars go squaking
Like geese about the sky.
The years shall run like rabbits,
For in my arms I'll hold
The Flower of the Ages,
And the first love of the world.'
But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
'O let not Time deceive you,
You cannot conquer Time.
'In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.
'In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
To-morrow or to-day.
'Into many a green valley
Drifts the appalling snow;
Time breaks the threaded dances
And the diver's brilliant bow.
'O plunge your hands in the water,
Plunge them in up to the wrist;
Stare, stare into the basin
And wonder what you've missed.
'The glacier knocks on the cupboard,
The desert sighs in the bed,
And the crack in the tea-cup opens
A lane to the land of the dead.
'Where the beggars raffle the banknotes
And the Giant is enchanting to Jack,
And the Lily-white Boy is a Roarer,
And Jill goes down on her back.
'O look, look in the mirror,
O look in your distress;
Life remains a blessing
Although you cannot bless.
'O stand, stand in the window
As the tears scald and start;
You shall love your crooked neighbor
With all your crooked heart.'
It was late, late in the evening,
The lovers they were gone;
The clocks had ceased their chiming,
And the deep river ran on.
-W.H. Auden
Monday, 21 March 2011
Minha invencível, ingrata e diária guerra particular
Não foi ainda ontem que eu venci essa guerra?
Me sinto como num video-game de zumbis imortais.
Tem dia que balanço a bandeira branca sem nem tentar, derrotada pela enormidade do desafio.
Tem dia que vou pra luta, aspirador em punho, e depois de algumas horas de suor, descabelada e arrasada, saboreio a ilusão da batalha vencida.
Estou exagerando? Sou uma patricinha tomando um choque de realidade?
Provavelmente.
Mas é que arrumar a casa 1 vez ao dia, lavar a louça 3, varrer, espanar, botar a mesa, tirar a mesa, arrumar a cama, lavar roupa, passar roupa, fazer faxina no banheiro e na cozinha... (ai, canso até de listar!) me parece nada mais que um desperdício de mim mesma, do meu tempo limitado nesse mundo.
É ou não é?
Como diz o Daniel citando o Gil Brother, sou mesmo da geração "leite-com-pêra" e me envergonho um pouco dessa pena de mim mesma que me bate quando encaro minha atual condião de dona de casa... Mas não consigo evitar de pensar que não era isso que eu queria estar fazendo do meu dia. E que a batalha contra a bagunça é vencida apenas temporariamente...
Entropia, meus amigos. Não há como derrotar as leis da física.
Caos.
Fora - e muitas vezes - dentro de mim.
Wednesday, 9 March 2011
Over thinking!
Queria poder descascar-me qual laranja. Tirar de mim camada por camada. Deixar so a polpa, só o que importa, só as sementes.
Thursday, 16 December 2010
Bittersweet comments about myself and the others...
Não é que eu, ou melhor, nós não tenhamos motivos para isso: o inverno chegou com tudo, acordamos antes do sol e lanchamos já sem ele... mesmo no meio do dia a escuridão se anuncia, manchando tudo de um cinza triste... ou seja, perdoem-nos a falta de sorrisos, mas é que tá f....!!!!
Eu tenho andado tão irritada com eles que aproveito qualquer oportunidade pra falar mal daqui... falo mal da política conservadora pela qual eles votaram e agora tá descascando o couro de todo mundo - "bem feito!!!"... Falo da falta de entusiasmo deles pela vida, da excelente qualidade de vida a que eles tem acesso e que ainda assim não lhes proporcina a felicidade, a espontaneidade e a descontração que sobra ao meu povo.... Falo da educação, cheia de recursos e ideais, mas que ao mesmo tempo legitima o poder e a superioridade do adulto em relação a criança, em cenas cotidianas que beiram a humilhação.... Falo das filas, do consumismo, da culinária de cocô que eles tem...
maybe...
may be...
eu sou assim: melodrámática nos meus ódios... e também nos meus amores.
Wednesday, 1 September 2010
Um post para Bruna
Enfim, tenho passado por momentos inspiradores que, em mãos mais dedicadas, poderiam virar páginas e páginas de divagações, mas no meu caso, não quero escrever sobre nenhum deles...
Minha irmã me pediu que eu escrevesse no Blog. Então o post, que é para ela, vai ser também sobre ela:
Bruna fazia tudo sempre certo. Comia vegetais. E não bebia coca-cola. Namorava há muitos e muitos anos um mesmo rapaz. E era fiel. Cedia. Não esquecia de aniversários. Fazia o dever de casa. E tirava 10. Bruna era bonita, inteligente e educada.
E ainda sim, alguma coisa borbulhava nas suas entranhas e ameaçava escapar-lhe do peito. Alguma coisa que era também ela mesma e por isso mesmo, a amedrontava e tirava-lhe o sono...
Um dia Bruna matou a aula. Nadou pelada no mar do arpoador. Almoçou Doritos. Deu um bolo no namorado e foi fazer a unha dos pés. Disse não para o mendigo. Olhando-o nos olhos. Se esfoçou em por pelo menos um palavrão em cada frase.
E quando chegou em casa, exausta do dia de maldades, não tomou banho. E com o cabelo ainda cheio do sal e areia da praia, sentou na cadeira e desenhou. Desenhou com uma paixão de rasgar o papel. Cores que não combinavam. Vermelho, preto e roxo. Traços tremidos...
E dormiu em cima do papel, o sono pesado dos justos....
Fim.
Ps. Esse texto é uma licença poética. Bruna na verdade não é toda certinha... Nem muito menos toda amalucada! Ela fala palavrão e dá chilique. Mas também é doce e prestativa. Um ser humano saudável e que me inspira a textos, divagações e projeções.... Minha Bruna tem Preto, vermelho e roxo, mas também branco e azul turqueza... traços tremidos desenhando um rosto de olhar firme... um rosto de mulher.
Thursday, 17 June 2010
Meus diálogos com o Eddy...
Thursday, 27 May 2010
Arte, amigos e um post pequeno demais
Sunday, 9 May 2010
Epifanias sobre o tempo, num dia das maes melancolico...
Nove quase anos se passaram desde que nos dois, tambem com muito medo e esperanca no coracao,viramos uma famila, numa manha chuvosa de um domingo das maes, como hoje. Mais uma vez parece mais, mas parece que foi tao, tao rapido...
E finalmente, trinta anos completos se passaram desde que eu entrei nesse mundo - certamente com medo e talvez uma esperanca crua e sem nome num coracao ainda novo, sem dor ou cicatriz.... Parece mais? Passou rapido?
As coisas acontecem, encontros, despedidas, estacoes do ano e viagens... somos ainda criancas a chamar por nossas maes num momento de desespero, somos adultos cuidando de um menino e torcendo de toda a alma que estejamos fazendo nosso melhor...
O tempo, esse nada que nos come e nos alimenta, esses dias que se estendem nos dias de paz e se encurtam na alegria demasiada ou na tragedia absoluta, essa vida com uma morte anunciada, uma promessa de fim, um agora que nos escapa...
O tempo e a vida me vieram visitar o coracoa hoje. Presente de um dia das maes. Presente.
Tuesday, 29 September 2009
Small post sobre small talk.
Amenidades, meus amigos, vamos nos ater as amenidades.
Ps. Estou malvadinha hoje.
Sunday, 7 June 2009
Apèndice de carta para a Rainha
Quando cheguei no seu país, no seu reino unido, com um frio na barriga e em todo resto também, confesso que torci o nariz... Resolvi que ia escrever para você uma lista, reclamando de tudo o que não gostava.
Agora, mais de um ano e meio depois, confesso que continuo não gostando de muitas coisas, mas acho que você gostaria de saber que a lista mudou. Os pontos negativos diminuíram em quantidade, e acrescentei nela um apêndice de - pasmem! - elogios. Coisas que o tempo e a experiência me ensinaram a apreciar, e algumas até mesmo até ganharam um canto no meu coração de carioca.
E é sobre esse "quase-PS" embaixo de uma penca de reclamações indignadas que resolvi escrever aqui hoje:
- A arquitetura. As casas de tijolos vermelhos e, como diria a minha mãe, a plantação de chaminés que se vê contra o céu cinza. É como se as ruas e os bairros se comprassem suas roupas na mesma loja, todos combinando. Nada destoa, tudo se completa numa paisagem que só existia antes para mim nos livros, filmes e na imaginação. Ninguém resolve de repente, por exemplo, que o legal é o moderno, ninguém passa a construir prédios coloridos, numa área de casinhas antigas. Procura-se, ao contrário, respeitar o que já existe antes, se manter um estilo que diz um pouco sobre quem se é. Me faz pensar como, até nisso, vocês valorizam o coletivo, o fazer parte de uma história, de uma cultura, de um país.
- Os parques. Bem cuidados e espalhados pela cidade toda. São a praia do seu povo, o lugar em que eles se permitem ficar descalços e deitar no chão. O único defeito é a falta do barulhinho do mar.
- Os, ou melhor dizendo, alguns, britânicos. Êta, povinho difícil de se gostar! Acho que é porque vocês não fazem a mínima questão de serem gostados. Alguns parecem estar todo dia num mau dia e outros fazem parte, definitivamente, da primeira parte da minha lista. Mas, justiça seja feita, você tem dentre seus súditos, pessoas realmente especiais, ou que pelo menos, se fizeram especiais para mim. São eles os garotos propaganda que eu escolhi para o marketing da Inglaterra no meu coração:
Ps. Lendo esse tópico, vejo que faço realmente um esfôrço no sentido de gostar da sua gente. Quero muito gostar deles, tanto que construo fantasias e me contento com o "muito pouco" que oferecem.
- Os ônibus vermelhos. Principalmente o meu amado e odiado 227 (que também não escapa da primeira parte da minha lista).
- O The Guardian dos sábados de manhã. Como eu vou conseguir voltar a ler O GLOBO depois de me acostumar com a qualidade da imprensa inglesa? Oh Dear!
- Por falar em imprensa, meus parabéns pela BBC! TV sem comerciais, com programas de excelente qualidade, que tem a coragem e a fineza de se auto-criticar quando necessário. As apresentadoras de telejornais zumbis e os empolgados homens do tempo a parte, é a melhor tv do mundo, sem dúvida nenhuma.
- Por falar em BBC, o Apprentice (O Aprendiz daqui) tem que constar na minha lista. E não só o programa, que é um annual guilty pleasure of mine, mas também e principalmente quem dá graça a ele: Sir Alan Sugar. Eu nunca vi a versão Brasileira - e nem pretendo - , mas também, como poderia? Roberto Justus, você que me desculpe, mas "you don´t have a bloody clue, do you?".
- A Pimavera, o verão, o outono e o inverno. É. Todos eles mesmo! É tão gostoso ver a passagem do tempo na paisagem, nas árvores que perdem as folhas no outono, morrem e renascem na primavera, numa explosão de vida e cores. Aprendi a valorizar o calor do sol, a nçao deixar um dia de céu azul passar em branco. Aqui, no seu país, é possivel ver e sentir o ciclo da vida e apreciar o que cada estação, seja ela de morte ou recomeçar, tem a oferecer.
- A sua organização e eficiência. Vocês chegam a ser engraçados de tão civilizados. Aos meus olhos acostumados com o jeitinho e a bagunça brasileira, no começo vocês me irritavam com tanta polidez. Pensando bem, vocês ainda me irritam, mas agora sei que o lado bom da sua falta de espontaneidade é compensado por uma sociedade que funciona, que respeita o direito do próximo, que não fura fila e não rouba no troco. Vocês me mandam cartas perguntando se concordamos com a demolição de um prédio vizinho, outras prestando contas dos impostos pagos, vocês recliclam o meu lixo e dão uma educação de primeira qualidade para o meu filho. Vocès fazem tudo isso, e fazem bem.
- a cultura, o respeito pelo passado. Parabéns pelos museus, pelo orgulho e propriedade com que vocès todos falam da sua história e pela eficiència com que preservam lugares, monumentos e tudo o que fala um pouco de vocès. E , como me sinto um pouco mais "em casa" por aqui, sinto também parte do seu orgulho de mostrar a cidade, tão bem sinalizada e cuidada, aos brasileiros que me visitam.
A lista provavelmente ainda vai mudar até o dia em que, daqui a não muito tempo, iremos embora. Mas saiba, vossa majestade, que sentirei saudades. De toda ela.
Kind Regards,
Barbara
Tuesday, 10 February 2009
Branca de neve.

Wednesday, 14 January 2009
Continua lindo? (editado!)
Fui de turista no Rio. Na noite em que cheguei, enquanto caminhava pela Visconde de Pirajá, ia pensando com uma ponta de tristeza o quanto tudo estava menor... e, pra ser sincera, mais feio também.
É claro que tem coisas que continuam tão lindas quanto na minha lembrança... As praias, a Lagoa... e as pessoas.
O sentimento de pertencimento, a certeza de ser querido e a alegria de querer bem são impagáveis, inexplicáveis... E o poder estar por perto. O compartilhar histórias. O compreender e ser compreendido - em português! Verbos que não eram conjugados já há algum tempo.
E, no final de três semanas que passaram intensas e rápidas como uma chuva de verão, o que ficou para mim foi, além das costas descascadas, a certeza de que são as pessoas que dão sentido a minha saudade. Foram os momentos que passei com elas é que fizeram a paisagem ganhar mais uma vez as cores, cheiros e barulhos que tinham na minha memória. A cidade, tão pequena a primeira vista, pareceu esticar ao sob a medida de cada passeio, encontro e despedida...
O Rio é minha casa, sempre será, por que também é casa daqueles a quem eu amo e das histórias que lá vivi.
Se a cidade continua linda, eu já não sei mais. Só sei que ela guarda pra mim a promessa daquele abraço. E isso, faz toda a diferença!
Monday, 4 August 2008
Paris
Tuesday, 1 July 2008
Just a perfect day!
Mais tarde, andando por ruas inexploradas da minha vizinhança, percebi - mais uma vez - o quanto tudo aqui é lindo.
Árvores a cada dois passos, casinhas de tijolos que parecem saídas da ilustração de um papel de carta, jardim com rosas tão abertas e extravagantes que chegam a ser um ultrage (dá até vontade de roubar umazinha...). O cheiro no ar é de grama cortada, o barulho que se ouve é o vento nas folhas e os pássaros cantando...
Enquanto janto, vejo uma raposa se coçar e espreguiçar no nosso quintal... O céu azul só foi embora, agora, âs 9 e meia da noite, dando lugar a um lilás morno e conforting...
Tudo tão lindo e tão perfeito que, pela primeira vez desde que cheguei, senti que poderia ficar... Senti que poderia ser feliz morando de vez nesse país...
Mas é claro que o inverno vai chegar, que a saudade vai bater, que o visto vai expirar...
E por isso mesmo tudo é ainda mais lindo...
E por isso, deixo minhas janelas bem abertas...
Para que o sol, as cores, os sons e sabores dessa terra entrem em mim e deixem a paisagem, tb aqui de dentro, mais bonita...
Wednesday, 11 June 2008
Algumas cenas londrinas
Cercada de vídeo-games de última geração, luzes e sons por todos os lados, uma mulher coberta dos pés a cabeça por sua burca preta e opaca encosta o carrinho de bebê que empurra num canto, enfia algumas fichas no fliperama e prepara-se para a ação.
Bromley. Sábado de sol. 10 am.
O playground do parque está cheio. A grande maioria dos adultos que acompanham as crianças são pais - do sexo masculino! Nenhuma babá uniformizada a vista. Apenas duas mães conversam em um banco, enquanto homens de bermuda empurram balanços e seguram mãozinhas pequeninas no topo do escorrega. Num canto, uma mãe brasileira sorri.
Caminho da escola do Arthur. Manhãs de outono.
As árvores tiram suas folhas aos poucos. A paisagem é colorida de laranja e amarelo, algumas vezes surge, inesperado, um vermelho. Pai e filho - brasileiros - caminham em direção a rotina de mais um dia que começa. Na frente deles, passa e para o caminhãozinho do leite. Sentindo-se nas páginas de um livro infantil, eles observam quando o motorista sai do veículo de proporções também infantis para pegar uma garrafinha de vidro cheia de leite e deixá-la na porta de uma casa de tijolos marrons. Não parece nenhum pouco preocupado com a possibilidade (por qui, é melhor dizer impossibilidade) de algum ladrão chegar primeiro que o dono. Pega então mais uma de suas garrafinhas e já vai entregá-la na segunda casa, quando uma velhinha de quimono abre a porta para recebe-lo e conversar com ele. Todos os dias essa cena se repete. Se pai e filho se atrasam, pegam apenas a despedida da velhinha e seu amigo entregador-de-leite-em-garrafinhas.
Talvez um dia ainda vejam algum ladrão roubar o leite da frente de uma das portas, mas -para completar mais um detalhe da aquarela da pagina em que caminham - o gatuno será mesmo um gato: cinza, lambendo os beiços e de bigodes melados!